terça-feira, 21 de julho de 2026

Encontro de comunicadores da Campanha Contra a Violência no Campo debate enraizamento e desafios estruturais


Foto: Cláudia Pereira

Comunicadoras e comunicadores do GT de Comunicação da CCVC se reuniram em Brasília para refletir sobre a comunicação e fortalecer as estratégias de enraizamento da Campanha


Por Cláudia Pereira – APC 


Vida e Terra Sim,Violência Não!


Nos últimos três anos, 70 pessoas foram assassinadas e, no ano de 2025, foram registrados dois massacres no campo brasileiro. É neste cenário de luta pela reforma agrária, pela regularização de territórios e pela demarcação das terras dos povos originários que comunicadoras e comunicadores se reuniram pela primeira vez de forma presencial, para planejar e refletir sobre  o fortalecimento da comunicação e ecoar as denúncias de violências e violações contra os povos do campo, das florestas e das águas.

Em uma dinâmica simbólica utilizando um emaranhado de fios, o Grupo de Trabalho (GT) de comunicadores da Campanha Contra a Violência no Campo (CCVC) deu início à atividade "Teia da Comunicação". A dinâmica partiu da análise das realidades de diferentes contextos e, sobretudo, das vivências dos territórios.

Realizado no Centro Cultural Missionário (CCM), em Brasília (DF), o encontro reuniu comunicadores de pastorais, organismos institucionais e, especialmente, comunicadores territoriais. O evento contou com o destaque de representantes da Teia dos Povos e Comunidades Tradicionais (MA), do Movimento Quilombola do Maranhão (MOQUIBOM) e dos territórios quilombolas Kalunga e Mesquita, de Goiás.

Juntos, os participantes refletiram sobre os quatro anos de caminhada da CCVC e seus objetivos centrais. Para além de estruturar o plano de comunicação que serve como fio condutor das ações, o grupo debateu caminhos práticos para enraizar a comunicação da Campanha nas bases. Como sintetizou o secretário-executivo da Campanha, Jardel Lopes, o momento exige "colocar as máquinas, as mentes e, principalmente, os corações" a serviço da causa.


Foto: Cláudia Pereira

Contexto histórico e desafios estruturais

“Estamos sob risco, a violência vai aumentar”


Carlos Lima, da coordenação Nacional da Comissão Pastoral da Terra (CPT), resgatou o contexto histórico da Campanha. Ao analisar os avanços e desafios, ele apontou que o enraizamento nas bases continua sendo o principal objetivo para fortalecer a articulação da CCVC. Atualmente, apesar das dificuldades estruturais, a Campanha tem conseguido pautar o debate sobre a violência no campo de forma orgânica na sociedade brasileira e em alguns estados. O caráter permanente da mobilização foi reafirmado como essencial diante de realidades cada vez mais urgentes.

Nesse cenário de agressões constantes, ele lembrou a importância de a Campanha pautar a urgência de dar visibilidade a casos emblemáticos de criminalização da advocacia popular e aos recentes massacres registrados na região Norte. Neste sentido a comunicação das pastorais e organismo que atuam com as pautas do campo, pautaram esses fatos considerando a relevância da comunicação local e nacional.

Carlos pontuou ainda que a própria existência da Campanha se deve a um modelo desenvolvimentista que não se altera e pressiona, de maneira violenta, as pessoas e a natureza. “Estamos sob risco, a violência vai aumentar. A transição energética e a expansão da infraestrutura aumentam os riscos e a violência em áreas de assentamento, agravando conflitos e impactando comunidades”, exemplificou, reforçando a importância do enraizamento da comunicação em todos os seis eixos da Campanha.

Foto: Cláudia Pereira

Comunicação e os desafios 

Embora a Campanha fortaleça as organizações, amplie o debate público e aprofunde a reflexão sobre a violência, o fazer cotidiano da comunicação enfrenta desafios práticos de enraizamento. Entre as principais dificuldades diagnosticadas pelo GT está o desafio de equilibrar o atendimento às demandas urgentes dos conflitos com o desenvolvimento de uma comunicação estratégica de longo prazo. Além disso, o grupo apontou a necessidade de romper "bolhas" para ampliar o alcance das mensagens além do ambiente digital e do público interno, garantindo sempre a segurança física e digital das lideranças nos territórios.

Para superar as limitações que esbarram no campos financeiros, técnicas e a histórica e altas demandas, o encontro apontou a necessidade de fortalecer a autonomia na produção de notícias e estruturar fluxos ágeis, seguros e permanentes de compartilhamento de informações. O planejamento coletivo prevê o estabelecimento de protocolos de segurança e comunicação para coberturas de eventos, diretrizes de divulgação e suporte jurídico para a rede.

O primeiro dia também foi dedicado a agilizar as decisões coletivas para pensar em  produção de materiais essenciais, organização de encontros e alinhamento para com o objetivo de planejar atividade nacional da Campanha a ser realizada neste ano.


Orientações jurídicas e salvaguardas na comunicação

“Devemos equilibrar o direito à liberdade de expressão e de informar, protegido pelas leis nacionais e internacionais”

No segundo dia, as atividades foram assessoradas pela assistente jurídica da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Lara Estevam Lourenço, que trouxe orientações éticas e jurídicas para o trabalho de comunicadores e jornalistas no enfrentamento à violência no campo. Durante o debate, foi iniciada a proposta de criação do protocolo de proteção e orientação baseado em um referencial jurídico para as publicações e manifestações produzidas pelo grupo. Esse instrumento é importante tanto para proteger as comunicadoras e os comunicadores em sua atuação quanto para resguardar juridicamente as instituições envolvidas diante das peças de comunicação que são veiculadas.

Com base nos fundamentos constitucionais, Lara abordou os limites e garantias da liberdade de expressão, o cuidado na citação e nomenclaturas e a necessidade de proteção das comunidades que estão em constante conflito pelo Brasil.

As reflexões partiram de um documento orientativo da CPT criado para proteger os comunicadores de processos e notificações judiciais, especialmente em matérias que expõem violadores de direitos. A intenção foi construir salvaguardas para mitigar riscos e fortalecer a defesa jurídica coletiva em casos de eventual judicialização a partir das informações coletadas nas comunidades. O espaço permitiu sanar dúvidas, compartilhar experiências in loco e discutir o aprimoramento desse material para que as próprias comunidades possam contribuir de forma segura com os veículos de comunicação.

“Devemos equilibrar o direito à liberdade de expressão e de informar, protegido pelas leis nacionais e internacionais, com a responsabilidade de não ferir outros direitos, como acusar sem provas; o jornalismo precisa se basear em evidências e respeitar limites éticos e legais”, explicou Lara.

A advogada ressaltou, porém, que o papel social da denúncia não deve ser paralisado pelo medo: “Divulgar informações relevantes para o interesse coletivo pode ser mais importante do que esperar todas as salvaguardas jurídicas, especialmente quando há impacto político ou social significativo”, ponderou, apontando a necessidade de buscar o equilíbrio através do uso de uma linguagem precisa e cautelosa.

“O encontro do GT de comunicação foi inédito e aprofundou o planejamento coletivo da campanha, incluindo um protocolo jurídico para proteger comunicadores e instituições. Houve participação ampla de representantes e especialmente de territórios, promovendo troca relevante sobre desafios e estratégias. A comunicação é fundamental para que a campanha possa expandir de um modo especial, que ela possa enraizar nos territórios, na sociedade, de um modo geral. Então, foi um encontro muito importante para a campanha e também para as pessoas, para os comunicadores e comunicadoras que ali participaram”, frisou Jardel Lopes. 


Caminhos fortalecidos 

No mês de agosto, a Campanha Contra a Violência no Campo completa quatro anos de existência. Para marcar a data, está sendo programada a Semana Nacional de Enfrentamento à Violência no Campo, que contará com atividades descentralizadas e eventos agendados em diversos estados.

A plenária de abertura da Semana Nacional terá como foco central o debate sobre os graves riscos que a atividade de mineração impõe à reforma agrária. A mesa de debates contará com a parceria da Fundação Rosa Luxemburgo, e o grupo articula a participação de representantes da sociedade civil e de órgãos federais.

Cantando a música “O sal da Terra” de Beto Guedes o encontro foi encerrado com uma avaliação coletiva, identificando pontos fortes e melhorias, além de reafirmar a comunicação como um espaço de luz e autonomia. Os participantes destacaram que a atividade fortaleceu o sentimento de pertencimento à Campanha, consolidou a articulação em rede e evidenciou que a comunicação deve ocupar um papel central na defesa dos povos do campo, das águas e das florestas.

“O encontro foi muito produtivo, ampliou minha visão sobre a importância da comunicação para garantir direitos e proteger nosso território, e me deu ferramentas e clareza para fortalecer a luta da comunidade de forma segura e correta”, afirmou a comunicadora Gisele da Teia dos Povos do Maranhão.


Foto: Cláudia Pereira





Dos troncos velhos brotam às resistências:presente e passado no 17º Encontrão da Teia de Povos e Comunidades Tradicionais do Maranhão


Foto: Eliane Camelo

Reunidos no Território Quilombola Tanque da Rodagem e São João, em Matões (MA), de 2 a 6 de julho, povos e comunidades tradicionais de todo o estado aprovam Carta Política que reafirma a defesa dos territórios, o enfrentamento aos agrotóxicos, a luta por direitos e o compromisso com o bem viver


Comunicação Teia dos Povos  MA

O perfume das folhas e das águas de cheiro, a fumaça da defumação desenhando o ar sob a casa redonda, a terra vermelha do Cerrado maranhense aquecida pelo sol forte de julho. Era assim que o Território Quilombola Tanque da Rodagem e São João, em Matões (MA) recebia quem chegava. Ali, não havia espectadores; era gente disposta a partilhar a vida, a memória e a luta.

De todos os cantos do estado chegaram indígenas, quilombolas, quebradeiras de coco babaçu, pescadores e pescadoras artesanais, ribeirinhos, camponeses, sertanejos, juventudes, crianças, anciãos e organizações aliadas e parceiras. Sementes crioulas guardadas por gerações, cestos de palha, bandeiras, tambores, maracás, cantos, rezas e encantarias. Também ocupavam o espaço  aquilo que não cabe nas bagagens: as cicatrizes dos conflitos, as histórias de resistência e a esperança insistente de quem segue defendendo o território como extensão do próprio corpo, pois de fato é.


Durante cinco dias, entre 3 e 6 de julho, cerca de mil pessoas transformaram o território em uma grande casa comum. Enquanto crianças corriam livres entre as palhoças, panelões alimentavam centenas de pessoas, sementes circulavam de mão em mão e os tambores marcavam o compasso das celebrações, as vozes também denunciavam a violência, o avanço do agro-hidro-mineronegócio e a contaminação dos territórios pelos agrotóxicos. Mais do que um encontro, a Teia reafirmou aquilo que sustenta sua existência há quinze anos: ninguém luta sozinho. Naquele chão sagrado, celebrar, denunciar, aprender e esperançar eram partes do mesmo gesto coletivo. Território vivo recebendo outros plurais territórios.


Foto: Wallace Campelo


A marcha que levou o território para as ruas

Na manhã do dia 4 de julho, os pés e os tambores se estendem  da comunidade às ruas de Matões (MA). A cidade escutava, ali, denúncias daquilo que, por muito tempo, tentaram invisibilizarde forma estratégica, pelos opressores nos territórios tradicionais. O grito ecoou. Quem tinha ouvidos para ouvir, ouviu.


Faixas, cartazes, maracás, danças e palavras de ordem abriram caminho para uma marcha marcada pela denúncia das violações enfrentadas não apenas pelos povos de Matões, mas por comunidades tradicionais de todo o estado. O centro da cidade transformou-se em um grande espaço de mobilização popular. No microfone aberto, um relato sucedia a outro: conflitos fundiários, pulverização aérea de agrotóxicos, destruição ambiental, mineração, violência contra lideranças, ameaças aos territórios e a omissão do poder público em todas as suas esferas.


Mas a caminhada também carregava esperança e alegria. A cada canto coletivo, a cada tambor e maracá balançado, respondendo às palavras de ordem, reafirmava-se que a resistência também se constrói caminhando juntos e juntas.


“O Encontrão da Teia é muito importante. Tá sendo maravilhoso, porque a gente tá reencontrando pessoas que nos ajudaram quando a gente estava precisando, lá em 2021, quando passamos por um conflito. Essas pessoas nos ajudaram a nos fortalecer e a dar continuidade à nossa luta. Agora, a gente tá tendo essa troca novamente, de experiências e de saberes. É bom demais estarmos todos juntos novamente. A Teia vai deixar ainda mais saberes, vai fazer com que a gente se una mais e fortaleça ainda mais a nossa comunidade”, afirma uma liderança quilombola do Território Tanque da Rodagem.

Foto: Virgilina Soares

Saberes que brotam como sementes

No domingo, 5 de julho, se as denúncias revelaram as urgências do presente nos dias anteriores, as rodas de conversa apontaram os caminhos do futuro. Ao longo da programação, os povos organizaram-se em diferentes esteios da Teia para discutir soberania alimentar, saúde, comunicação, educação, autogestão, economia, defesa dos territórios e relações de gênero.


Não eram debates abstratos. Cada proposta nascia da experiência concreta dos territórios: do banco comunitário criado por uma comunidade, das práticas tradicionais de cuidado em saúde, da comunicação feita no chão dos territórios, da preservação das sementes crioulas e das formas coletivas de organização que sustentam o bem viver.


Os troncos velhos guardam o amanhã

Na manhã da segunda-feira, 6 de julho, centenas de sementes foram reunidas. Vindas de diferentes territórios, carregavam histórias, famílias, modos de plantar e de existir. Livres de transgênicos e de venenos, passaram de mão em mão ao som das cantorias, das preces e dos maracás, envoltas pelo respeito e pela sacralidade que lhes são próprias.


Não era apenas uma troca. Era um pacto entre gerações e culturas. Cada semente levada de volta para casa carregava consigo o compromisso coletivo de preservar a biodiversidade, fortalecer a soberania alimentar e garantir que os conhecimentos ancestrais continuem vivos.


Logo depois, os Encantados chegaram à plenária. Os tambores voltaram a pulsar. Os maracás marcaram o ritmo. As cantorias atravessaram o espaço lembrando que a luta também precisa alimentar o espírito. Ali, Cronos já não ditava o tempo. As horas deixaram de ser medidas. Tudo acontecia na duração necessária de cada canto, de cada ritual e de cada silêncio. Era outra lógica, outro compasso, outra maneira de habitar o tempo.



Foto: Verena Glass

Uma carta escrita com muitas vozes

O encerramento do 17º Encontrão aconteceu como toda a Teia se constrói: coletivamente. Após dias de escuta, debates e construção política, foi aprovada a Carta do 17º Encontrão da Teia de Povos e Comunidades Tradicionais do Maranhão.

Resultado das reflexões construídas ao longo dos cinco dias de programação, o documento reafirma o compromisso com a defesa dos territórios, o enfrentamento aos agrotóxicos, a luta contra o marco temporal, a proteção das águas, dos babaçuais e das espiritualidades, além de assumir o bem viver como horizonte político comum. A Carta também expressa a preocupação com o cenário eleitoral de 2026, defendendo o enfrentamento de projetos políticos que colocam o lucro acima da vida, da natureza e dos direitos dos povos tradicionais. Ao afirmar que os povos são sujeitos políticos, a Teia assume o compromisso de fortalecer uma participação popular comprometida com a democracia, a justiça socioambiental e a defesa dos territórios.

A Carta ainda homenageia a trajetória construída ao longo dos 15 anos da Teia e convoca as novas gerações a assumirem a missão herdada dos “troncos velhos”, reafirmando que a continuidade dessa luta depende da união entre memória, ancestralidade e organização popular.

As caravanas partiram. Mas quem esteve no Território Tanque da Rodagem e São João levou consigo algo impossível de guardar apenas na memória: a certeza de que uma Teia continua viva porque seus fios são feitos de gente que planta, que reza, que denuncia e que insiste. Porque, como lembra a frase que conduziu todo o Encontrão, “com a força dos troncos velhos, brota a nossa resistência”.





Leia a carta na íntegra aqui


Foto: Henrique Cavalheiro


sábado, 21 de março de 2026

Coordenação da Articulação das Pastorais do Campo se reúne em Brasília para definir prioridades de 2026



Foto: Cláudia Pereira

Pastorais traçam caminhos para fortalecer a unidade das pautas principais dos povos e comunidades tradicionais em relação aos direitos e à denúncia de violações


Por Cláudia Pereira | APC


A coordenação da Articulação das Pastorais do Campo (APC) realizou, no dia (17), sua primeira reunião presencial do ano na Casa Dom Luciano de Almeida, em Brasília (DF). O encontro teve como objetivo central avaliar as ações desenvolvidas em 2025 e consolidar a agenda institucional para os próximos meses, com objetivo no fortalecimento da unidade entre as pastorais e na resistência dos povos do campo, das florestas e das águas. 

A abertura do encontro foi marcada por um momento de espiritualidade inspirado no "Pregão Quaresmal" de Reginaldo Veloso:


"Mudai de vida, mudai / Convertei-vos de coração!

Fazei a vontade do Pai, / O chão é de todos, e o pão!"


Com base no Evangelho de João (5,1-16) e na Oração da Campanha da Fraternidade 2026, a reflexão destacou a cura como um ato que prioriza a vida acima de formalismos legais, uma inspiração para a missão das pastorais diante das desigualdades estruturais do país.

O encontro contou com representantes da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Conselho Pastoral dos Pescadores (CPP), Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Cáritas Brasileira e Serviço Pastoral do Migrante (SPM). Durante a avaliação das atividades de 2025, a coordenação pontuou que, apesar dos desafios financeiros e de articulação, houve avanços significativos. O setor de comunicação foi um dos destaques na produção de conteúdos e coberturas estratégicas, como a do Congresso da CPT, realizado em julho de 2025, e a da COP 30, realizada em novembro, em Belém.

Para 2026, a APC definiu eixos prioritários que incluem a manutenção da agenda institucional, o fortalecimento da comunicação e o incentivo aos encontros presenciais para estreitar os laços entre as diversas pastorais.


Foto: Cláudia Pereira

Incidência Política e Direito à Moradia com o tema da CF 2026


O encontro foi encerrado com a ação de incidência política na Câmara dos Deputados. A coordenação participou de uma audiência pública na Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial, que debateu o direito à moradia digna e o acesso a direitos básicos, tema da Campanha da Fraternidade deste ano. O evento registrou uma boa presença de parlamentares, embora sejam da área de pautas progressistas.

Na audiência, foi reforçado o impacto da crise climática sobre a moradia de povos e comunidades tradicionais. “Para enfrentar esses desafios, é crucial criar condições políticas que incentivem avanços na habitação e enfrentem a desigualdade”, ressaltou um dos deputados presentes.

O Padre Jean Poul Hansen, secretário-executivo do Setor de Campanhas da CNBB, presente na audiência defendeu que a moradia deve ser tratada como um direito fundamental, e não como mercadoria. Ele enfatizou como ação concreta uma das propostas da CF26, a criação de um Sistema Único de Moradia, nos moldes do Sistema Único de Saúde (SUS), que integre os direitos à terra, teto e trabalho. O padre pontuou ainda sobre a criminalização de movimentos, fazendo um apelo aos parlamentares para que barrem projetos de lei que visem criminalizar movimentos populares de moradia. Ele também reforçou a urgência da campanha "Despejo Zero" e a necessidade de urbanizar favelas por meio do diálogo direto com os moradores, garantindo a dignidade além do período da Quaresma.

Foto: Cláudia Pereira

#PovoseComunidadesTradicionais  #APC #DireitoàMoradiaeTerritório


sexta-feira, 6 de março de 2026

As sementes teimosas em defesa da vida e do território




Vozes de mulheres do campo, das águas e da floresta afirmam que o 8 de março é mais um dia da luta por sobrevivência e dignidade


Por Cláudia Pereira | APC


Em um país que registrou o trágico recorde de 1.470 feminicídios (homens que matam mulheres) em 2025, o 8 de março transcende a celebração para se tornar um grito por justiça e pelo direito  à existência. Com uma média de quatro mulheres mortas por dia, em uma país onde a maioria do eleitorado é feminina —, a gravidade da situação levou o estado de São Paulo a ser denunciado ao Ministério Público Federal por omissão governamental no combate à violência de gênero.

Das agressões verbais à falta de moradia, mulheres e meninas brasileiras enfrentam violações diárias. No entanto, longe de ocuparem apenas o lugar de vítimas, elas são protagonistas de transformações sociais. Para dar rosto e voz a essa resistência, compartilhamos as reflexões de duas lideranças representantes de Povos e Comunidades Tradicionais, ouvidas pela Articulação das Pastorais do Campo: uma voz quilombola das barrancas do Rio São Francisco e uma liderança indígena da Amazônia Rondoniense.


Marinalva Mendes: "O 8 de março é todo dia"

Às margens do Rio São Francisco, em Itacarambi (MG), a pescadora, quilombola e vazanteira, Marinalva Mendes lidera a resistência de 30 famílias pelo território quilombola centenário. Para ela, a data internacional é um lembrete de uma lida que não tem descanso. 

A liderança quilombola observa com tristeza a escalada da violência e defende que a Lei Maria da Penha precisa de mais rigor, punindo inclusive as agressões verbais antes que escalem para o crime fatal. Sua estratégia de mudança passa pela educação: em sua comunidade, ela incentiva a participação dos homens nas reuniões, não apenas para articular a luta, mas para que conheçam os direitos das mulheres, uma forma de estimular o conhecimento.

Apesar de viver sob ameaça e integrar programas de proteção, ela mantém a cabeça erguida. "Somos mulheres lutadoras que não baixam a cabeça para nada".


Qual é o significado do 8 de março para você, que vive a luta diária às margens do rio Velho Chico? 

Marinalva Mendes: Para mim, o 8 de março é todo dia. Nossa comemoração é diária, pois quem vive à beira do rio, planta para comer e pesca, levanta às quatro da manhã e não tem hora para dormir. É uma lida constante de cuidar, colher e, acima de tudo, lutar pelo território. É uma data especial porque somos lembradas pelas autoridades, mas o que buscamos de verdade é o reconhecimento e respeito.


O machismo ainda dita que o homem é a autoridade máxima. Mas, afinal, quem é que gera esses homens?

Marinalva: Somos nós. Sem as mulheres, eles não existiriam. Eles deveriam dar valor a quem os pariu. Até Jesus Cristo, para descer à Terra, teve que ser parido por uma mulher. Antigamente, no tempo dos meus pais, o homem era o soberano e a mulher nem votava, mas havia mais respeito pelo ser mulher. Hoje, parece que virou brincadeira: se a mulher cansa de ser humilhada e decide se separar, o homem acha que tem o direito de tirar a vida dela. Isso dói só de pensar.


Como mudar e sensibilizar os homens sobre a violência? 

Marinalva Mendes: O caminho é trabalhar junto e educar. Na nossa comunidade, fazemos questão de que os homens participem das reuniões, principalmente quando falamos sobre os direitos das mulheres. Precisamos explicar que a lei não coloca a mulher acima do homem; ela garante que os direitos sejam iguais. Envolvo também as crianças, para que cresçam sabendo que não se pode ser violento e que pai e mãe devem ser respeitados.


Comunidade de Cabaceiras - foto: João Victor

Cacica Hozana: A resistência das "sementes teimosas"

No coração de Rondônia, Hozana Castro Puruborá carrega o marco de ser a primeira cacica do estado. Para ela, as mulheres indígenas são "sementes teimosas" que enfrentam ataques contínuos do Estado e do capitalismo.

Hozana alerta sobre o modelo  atual modelo “desenvolvimento" que ameaça a vida. Para o povo Puruborá, o avanço do agronegócio é visto como um rolo compressor que destrói a floresta e contamina a água com veneno. "Como sobreviveremos amanhã se a natureza morrer hoje?" questiona a Cacica. 

Qual a importância do 8 de março para você, como cacica em um território sob conflito diário? 

Cacica Hozana: Acredito que nós, mulheres lutadoras, não deveríamos ser lembradas apenas no dia 8 de março, mas sim todos os dias. Somos sementes teimosas. Gostaríamos que o Estado brasileiro não focasse em datas, mas em uma proteção real e contínua. Hoje, o sistema prende e logo solta, tirando nosso direito de viver dignamente.

Em 2025, o Brasil registrou índices alarmantes de feminicídio. Como você reflete sobre essa realidade de violência contra a mulher?

Cacica Hozana: É muito triste ver mulheres sendo "tombadas" enquanto seguimos lutando, muitas vezes de mãos atadas, mas sempre na linha de frente. Tanto nas aldeias quanto nas cidades, sempre temos alguém que perdemos. A justiça ainda é muito fraca, não só no combate à violência contra a mulher, mas também na proteção de nossas crianças. O que mais dói é ver que a violência, muitas vezes, não vem de fora, mas acontece dentro de nossas casas. 

Como você vê as ameaças à Amazônia, como o agronegócio e impactos nos rios? 

Cacica Hozana: O capitalismo, sob o nome de agronegócio, funciona como um rolo compressor que destrói a floresta, a terra e a água para beneficiar poucos. O que eles chamam de desenvolvimento, nós vemos como destruição. Nós não olhamos apenas para o hoje; olhamos para os nossos filhos, netos e as futuras gerações. Como sobreviveremos amanhã se a natureza morrer hoje?


Imagem, acervo do Povo Puruborá 

A beleza como ato de dignidade e sonhos compartilhados

Para essas lideranças, a beleza é indissociável da resistência e da identidade cultural. Marinalva Mendes encontra sua força junto as companheiras da comunidade. Sua beleza está no momento que ajusta seu turbante frente ao espelho, sentindo-se maravilhosa simplesmente por ter vencido mais um dia de luta. Ela descreve as mulheres de sua comunidade como guerreiras e trabalhadoras que não perdem o gosto pelo riso e pela celebração, mesmo diante das adversidades ou marcas do tempo. Nós gostamos da vida e por isso nos permitimos vadiar, farrear. Para a Cacica Hozana, a beleza Puruborá floresce na convivência harmônica com a Mãe Natureza, de onde extraem suas pinturas e medicinas tradicionais. É uma estética baseada na dignidade de quem não aceita caminhar atrás de ninguém, mas sim lado a lado e ombro a ombro.

Embora separadas por milhares de quilômetros, Marinalva e Hozana convergem no mesmo sonho: a garantia do território. Seja nas barrancas do Velho Chico ou na imensidão da Amazônia, a mensagem dessas mulheres é clara: o respeito deve ser mútuo, a conscientização é o caminho e a defesa da vida é inegociável. 



#8demarço  #mulheresdocampoedasflorestas


sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Luta por direito a terra no Norte de Minas é tema de novo documentário




Disponível no YouTube, nova produção da APC relata conflitos agrários no semiárido mineiro e o impacto da expansão do agronegócio sobre o acesso à terra e à água


Por Cláudia Pereira | APC


O semiárido mineiro é o cenário do documentário "Terra, Água e Resistência - A Esperança dos povos tradicionais do Norte de MG". A obra retrata a mobilização de comunidades quilombolas, vazanteiras e de pescadores que enfrentam a expansão do agronegócio e a omissão estatal na bacia do Rio São Francisco. O filme complementa e a série Povos da Beira D’Água, que destaca a realidade de cinco comunidades situadas às margens do Velho Chico. A produção é uma realização da Articulação das Pastorais do Campo (APC).

A narrativa destaca que a disputa pela terra no Norte de Minas Gerais é indissociável da disputa pela água. Pesquisadores apontam que a região vive uma contradição: enquanto grandes projetos de mineração e agronegócio consomem volumes massivos de recursos hídricos, comunidades tradicionais lutam pelo acesso aos seus direitos para garantir sua sobrevivência, produção e a preservação da natureza em seus territórios.

A narrativa é estruturada em quatro eixos, a geografia dos conflitos, a violência institucional, os caminhos da luta jurídica e a sabedoria dos povos sobre seus direitos. 



Reunindo os povos das comunidades, pesquisadores, geógrafos e representantes do Poder Legislativo e de órgãos federais, o documentário debate a insegurança jurídica e a complexa teia de violência institucional que atinge a região do Norte de MG. Muitas comunidades ocupam terras da União que nunca foram devidamente regularizadas, o que alimenta um ciclo de violência. Esses conflitos históricos não se restringem ao Norte de Minas, mas se estendem por todo o país, afetando povos do campo, das águas e das florestas. Relatos no filme denunciam expulsões mediante o uso de subterfúgios e até incêndios criminosos.

O filme também aborda o conflito entre a criação de parques de proteção integral (onde a presença humana é proibida) e a existência secular de povos que já preservavam esses territórios. São Unidades de Conservação que foram estabelecidas sem a realização de consulta prévia a essas comunidades centenárias.

Através de depoimentos, o documentário dá visibilidade para pauta da Reforma Agrária. Para as lideranças como Luciana, da Comunidade Caraíbas, a identidade quilombola é definida pelo "lidar com a natureza". 


"A visão de uma comunidade tradicional no território é totalmente diferente da visão do Estado ou de um empreendedor. Temos que provar o óbvio sob uma lógica que não é a nossa", afirma Samuel Leite Caetano, do Centro de Agricultura Alternativa.


O documentário defende que a regularização fundiária e instrumentos como o Termo de Autorização de Uso Sustentável (TAUS), são fundamentais para além de estabilizar conflitos, são caminhos que preserva biomas e garante direitos básicos e uma vida digna para centenas de famílias. O filme encerra reforçando que o modelo de desenvolvimento atual precisa ser revisto para que o Bem Viver e a preservação ambiental prevaleçam sobre o lucro imediato.

O documentário está disponível para o público no canal da Articulação das Pastorais do Campo no YouTube.



  • Realização: Articulação das Pastorais do Campo (APC)
  • Direção e Roteiro: Cláudia Pereira e Humberto Capucci
  • Imagens: Cláudia Pereira e João Victor Rodrigues
  • Edição e Finalização: Humberto Capucci
  • Apoio: Misereor


Sobre a Articulação das Pastorais do Campo – A iniciativa é fruto da união de pastorais e organismos da Igreja Católica. Comissão Pastoral da Terra (CPT), Conselho Pastoral dos Pescadores e pescadoras (CPP), Serviço Pastoral do Migrante (SPM), pastoral da Juventude Rural (PJR), Cáritas Brasileira e o Conselho Indigenista Missionário (Cimi). Juntos, mantêm um compromisso histórico com a defesa  dos povos do compo, das florestas e das águas e o cuidado com a casa comum, o Bem Viver. 


#PovoDaBeiraD`Água  #RioSãoFrancisco #ReformaAgrária #JustiçaAmbiental




terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Documentário “O Grito dos Povos na COP30” denuncia falsas soluções climáticas


Marcha Mundial pelo Clima, mais de 70 mil vozes nas ruas de Belém. Foto: Cláudia Pereira

Filme expõe a divisão entre a agenda do mercado e a realidade dos povos e comunidades tradicionais, destacando a luta por justiça climática e reforma agrária


Por Cláudia Pereira | APC


Enquanto líderes globais e autoridades se reuniam em Belém para a COP30, em novembro de 2025, uma barreira invisível dividia o debate ambiental no coração da Amazônia. De um lado, a chamada “COP do Capital"; do outro, os guardiões da floresta que, apesar de protagonistas da preservação, enfrentaram restrições para acessar os espaços oficiais de discussão. Este contraste é o fio condutor do documentário “O Grito dos Povos na COP30”, uma produção da Comissão Pastoral da Terra (CPT) que estreia no canal da organização no YouTube nesta terça-feira (03), às 10h.

Sob o lema “Não existe justiça climática sem justiça social”, o filme de aproximadamente  30 minutos documenta a resistência de povos das florestas, do campo, das águas e das cidades contra as falsas soluções do mercado para a crise climática. O documentário relata episódios de tensão envolvendo lideranças do povo Munduruku, que foram impedidas de acessar espaços da agenda oficial com seus instrumentos ancestrais. "A gente é barrada de entrar [...] a gente não está aqui brincando", desabafou o Cacique Manuel Munduruku.

Para os movimentos sociais, o episódio simbolizou a distância entre o discurso diplomático e a realidade dos territórios. Enquanto o mundo buscava acordos financeiros, vozes como a de Larissa Rodrigues alertavam para a urgência da reforma agrária e para problemas imediatos como a fome e a contaminação por agrotóxicos e mercúrio, que afetam famílias amazônicas e camponesas que enfrentam o avanço das commodities.


Povos Munduruku, em manifestação na zona Azul da COP30. Foto: Cláudia Pereira

Denúncias, Tribunal do Ecogenocídio e a Marcha das 70 mil vozes

Um dos pontos centrais da narrativa é o questionamento sobre a transição energética. O filme apresenta denúncias sobre o impacto da extração de minérios que, embora rotulados como limpos, continuam degradando territórios tradicionais. "Não adianta eu defender um modelo que amplie as eólicas [...] sendo que isso vai degradar diversos outros territórios para explorar minério", aponta o agente de pastoral Ítalo Kant. Além da mineração, a obra expõe a pressão de empresas sobre comunidades para a negociação de créditos de carbono, uma nova forma de mercantilização da natureza.

O documentário também registra momentos de mobilização popular, como o Tribunal Popular do Ecogenocídio, realizado no Ministério Público Federal, no Pará. O tribunal julgou 21 casos emblemáticos de violações, incluindo o massacre de Pau D’Arco e a contaminação por agrotóxicos, unindo relatos de comunidades da América Latina, África e Ásia.

O encerramento destaca a Marcha Mundial pelo Clima, que ocupou as ruas de Belém com mais de 70 mil pessoas. Para os realizadores, a mobilização deixou um recado claro: a mudança real não virá de cima para baixo, mas da garantia dos territórios e do fortalecimento da agricultura familiar.



Ficha Técnica:

  • Direção e Edição: Cláudia Pereira 
  • Realização: Comissão Pastoral da Terra (CPT) 
  • Apoio: Misereor, Brot für die Welt, CCFD-Terre Solidaire e Ford Foundation.


#CPT, Amazônia, JustiçaClimática




quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

Comunidades da Região Mata Sul de Pernambuco denunciam violência e buscam pela autoproteção




Oficina realizada pela Campanha Contra a Violência no Campo em Palmares reúne dezenas de participantes para analisar o risco e estruturar mecanismos de segurança popular contra os conflitos por terra e despejos


Por Cláudia Pereira  | APC 


Em um cenário de escalada da violência no campo, a Campanha Contra a Violência no Campo realizou no dia (2) uma Oficina de Autoproteção Comunitária na cidade de Palmares, (PE). O evento reuniu mais de 30 participantes de mais de dez comunidades da Região Mata Sul que vivem sob constante ameaça em seus territórios devido a conflitos fundiários.


O objetivo da oficina foi analisar o contexto de risco e estruturar mecanismos de segurança popular diante da intensificação dos conflitos por terra. A atividade foi ministrada por Paulo Cesar Moreira, da Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH), por meio do Projeto Defendendo Vidas e Projeto Semente de Proteção e contou com a participação de Gabriel Teixeira (Associação Brasileira de Reforma Agrária - Abra) e Jardel Lopes (Secretário Executivo da Campanha).



A Raiz do Conflito: Crise da Cana-de-Açúcar

A origem da disputa territorial na Mata Sul está diretamente ligada à crise da monocultura da cana-de-açúcar. Com a falência de usinas, ex-funcionários que residiam nas fazendas, desamparados e sem o recebimento de acertos trabalhistas, permaneceram nas terras como forma de garantir a própria subsistência e o cumprimento de seus direitos.


O quadro se agravou quando as usinas iniciaram processos de arrendamento ou leilão de seus engenhos. A partir de então, intensificaram-se as iniciativas de expulsão das famílias, seja por meios violentos ou por ações judiciais de reintegração de posse. Lideranças relatam que, desde 2015, o aumento de situações de risco e ameaças constantes mudou drasticamente suas vidas.

Relatos de Violações e ameaças diárias

Durante o encontro, os participantes trouxeram relatos detalhados das violências sofridas. A dimensão das violações abrange desde violência física e ameaças de morte até intimidações e "tocaias". Houve menção a episódios de grande gravidade, como o sequestro de uma liderança e o assassinato de uma criança de 9 anos dentro de casa.

Outras táticas de pressão mencionadas incluem ameaças de despejo e ação policial, grilagem de terras, uso de agrotóxicos como "arma química", invasão de patrimônio, instalação de cercas em territórios ocupados, supressão de vegetação e a violência psicológica contínua.


Ausência Estatal e o apoio da CPT

A Oficina de Autoproteção focou em auxiliar as lideranças a refletir sobre a dinâmica dos conflitos, analisar o risco específico e elaborar táticas eficientes de autoproteção comunitária.

Um ponto crítico levantado pelas comunidades foi a ausência de apoio do Estado e do Poder Judiciário na resolução das questões fundiárias e na proteção de suas vidas. Nesse vácuo, a Comissão Pastoral da Terra (CPT) foi mencionada como a principal aliada, oferecendo suporte jurídico, mediações políticas e apoio essencial nas reuniões de resistência. A CPT, juntamente com a SMDH e a Abra, compõe a coordenação da Campanha.

A Campanha Contra a Violência no Campo, reúne diversas organizações da sociedade civil, atua na região desde 2024. Seus objetivos centrais são compreender a natureza dos conflitos, denunciar a violência, incidir junto aos órgãos estatais, proteger as comunidades e promover o reconhecimento dos direitos territoriais. O Fórum das Comunidades em Conflitos da Mata Sul de Pernambuco se reúne bimestralmente, com apoio da CPT, para dar encaminhamento à luta por esses direitos.


Foto: Cláudia Pereira